Vivemos provavelmente na era mais dinâmica que conhecemos, com acesso a informação e onde vivenciamos constantes alterações, principalmente a nível tecnológico. Mudanças estas que afetam o dia a dia de todos, principalmente enquanto consumidores, e que tem um impacto cada vez maior no mundo empresarial.
Se olharmos para os avanços tecnológicos dos últimos anos, que permitem a melhoria constante dos sistemas informáticos, dos processos e resultados da organização, permitindo uma maior eficiência e redução de custos e a introdução da inteligência artificial, levar-nos- á a refletir sobre o futuro.
O setor segurador não é exceção e, à semelhança do que acontece nos restantes setores da economia, nomeadamente na indústria, com a tecnologia surgem também novas realidades e desafios.
No caso do mundo segurador, isto reflete-se na necessidade de se adaptar a uma economia globalizada, à digitalização e ao surgimento de novos riscos, novos mercados e, consequentemente, novas formas de resposta. Esta situação é ainda mais notória nos designados riscos emergentes, como é o caso da Cibersegurança e dos desastres naturais (Global Risk Report 2023 – World Economic Forum).
O que me leva à questão: qual o papel do subscritor no futuro?
Atualmente, e de uma forma resumida e simplista, podemos dizer que o papel de um subscritor, um técnico especializado num determinado ramo de seguros, é a análise de um determinado risco, adequando coberturas, prémio e taxa à respetiva atividade segura.
Contudo, neste contexto atual, a função do subscritor não poderá ser estática e imutável face aos crescentes desafios e à necessidade de adaptação.
Com a introdução de processos de automação e de inteligência artificial cada vez mais avançados -modelos suportados em estatística serão usados por avaliadores de risco qualificados, juntamente com uma subscrição baseada em regras desenhadas para alcançar novos níveis de análises sofisticadas e suporte a decisões – percebemos que a função do subscritor está em mudança.
A utilização de ferramentas de inteligência artificial adequadas a este setor de mercado irá libertar os subscritores de processos internos e melhorar a sua eficiência, bem como a das suas organizações, para lidar com novas exposições (como o risco cibernético), avaliar o apetite com mais precisão e explorar novos caminhos de negócios.
Isto permitirá igualmente que parte das suas tarefas manuais sejam realizadas com sucesso pela “máquina”, de forma mais célere e precisa, o que consequentemente resulta numa resposta mais eficiente para clientes e agentes. São já muitos os defensores da ideia que a introdução da tecnologia reduz o potencial erro humano e a parcialidade, conduzindo a uma situação mais justa e a uma melhor tomada de decisão.
Atualmente já existem subscritores que possuem não só a vertente de técnico especializado, com o pensamento critico que lhe é característico, mas também uma vertente de consultoria, de conhecer verdadeiramente o risco e os seus contornos, com uma visão e presença no terreno quando os casos assim o pedem, e a indispensável promoção de relacionamentos e envolvimento com os seus parceiros de negócio, de modo a facilitar as vendas.
A meu ver serão estas as skills necessárias para um subscritor no futuro, sendo certo que é, como sempre, uma função em constante desenvolvimento.
Por Filipa Félix, Subscritora de Linhas Financeiras.